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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

REVELAÇÃO NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO



Leitura de Hebreus 1.1-2

Para o Grande Mestre e Amigo Airton Williams[1]



Por muitas vezes, de muitos modos e há muito tempo, Deus, tendo falado aos Pais, nos Profetas, no último destes dias, falou-nos no Filho, o qual constituiu herdeiro de todas as coisas, por meio de quem também fez as eras. (Hebreus 1.1-2)[2]

Não foi pouca a emoção, quando me vi diante do texto, virtualmente original, via FAC-SIMILE, do documento cristão primitivo denominado Hebreus (1.1-2), conforme nos fora transmitido pela tradição textual dos Códices Sinaíticus (melhor preservado e, assim, mais legível), Vaticanus (esse já um pouco deteriorado, mas ainda legível) e Alexandrinus (bastante desgastado e, por isso, pouco legível em algumas passagens). Esses manuscritos gregos do Novo Testamento, datam, respectivamente, do IV e V séculos depois de Cristo, nosso Senhor.

A emoção desse despretenso historiador bíblico e caminhante exegeta se justifica dada a Inspiração Divina desse texto e a riqueza consequente de sua mensagem aos seus leitores originais e, mais ainda, creio eu, a nós hoje.

O único eixo de significado que consigo ver nesse pequeno texto que prefacia a enigmática[3] obra de Hebreus é a Revelação de Deus na e/ou tendo em vista a História da Salvação ou Redenção. O autor tem como finalidade máxima, em sua obra, exaltar a Cristo, o Sumo Sacerdote de uma Nova, Superior e Eterna Aliança, o que ele o faz já desde os inícios de seu tratado (cf.1.1-4), já nas primeiras linhas de seu texto. Descreve a atividade revelatória de Deus de um ponto a outro da história, mostrando Cristo Jesus, seu Filho Eterno (cf.1.5,8), como o ápice dessa mesma, última e definitiva revelação – Deus falou na antiguidade pelos profetas, agora nos fala e/ou nos falou por meio de seu Filho (Jesus).

Com o intuíto de trazer à superfície a mensagem do autor de Hebreus aqui, 1.1-2, sobre o que intitulo Revelação na História da Salvação, ressalto alguns pontos estruturais e/ou formais importantes do texto, como segue.

1. O Sujeito da Revelação

Sem dúvida, o sujeito de todo esse período é Deus, o qual se diz que falara no passado e agora também nos fala hoje. Após sucessivas atividades de sua auto-revelação na antiguidade (1.1)[4], Deus agora se auto-revela de modo peculiar, sem precedentes, e de forma definitiva e/ou completada (1.2a)[5]. Esse Deus que, desde o passado longínquo, se revela aos homens, agora brinda-nos com o clímax de sua manifestação, com fins a redenção dos mesmos. Veja-se que a iniciativa é toda e exclusiva de Deus, de uma ponta a outra da história dessa revelação. Nunca pôde, nem pode jamais ser conhecido e/ou desvelado por iniciativa humana. A menos que ele mesmo, como graciosamente o fez, se revele. Por isso, louvamos a Deus por sua indizível graça de se revelar aos homens e, assim, resgatá-los da eterna condenação.

2. Os Agentes da Revelação

No passado Deus se utilizara de seus profetas (1.1)[6], santos conduzidos por seu Santo Espírito. Homens que serviram como porta-voz de Deus, os quais podiam dizer “Assim diz o SENHOR”. Não obstante a eficiência da agência dessa revelação de Deus no passado, coube ao seu Filho[7] Jesus Cristo o papel de revelador por excelência e em plena perfeição. O que o autor aos Hebreus diz aos seus leitores originais e, consequentemente, a nós hoje é que depois de revelar-se por meio de seus Santos Profetas, Deus decidiu agora se revelar aos homens não mais por representação profética, mas por Filiação, a saber, por meio de seu próprio, eterno e divino Filho, Jesus Cristo. Esse cuja filiação é tão única que lhe cabem por herança, já que não há outro Filho, todas as coisas (1.2b)[8]. Tendo sido ele também o agente de Deus para a criação do Universo (1.2c)[9]. É Jesus, o Filho de Deus, a revelação exata, perfeita e definitiva de Deus Pai aos homens (cf.1.3). Em Jesus Cristo é que devemos ter nossos olhos fitos para ter acesso a Deus e sua redentora revelação (cf.Jo.1.1,14,18).

3. Os Recipientes da Revelação

Outrora foi dada aos antepassados, aos pais (1.1)[10], a revelação progressiva[11] de Deus, desta vez foram os primeiros cristãos (1.2a)[12] e, consequentemente, nós hoje, os recipientes da Revelação de Deus, não mais progressiva, fragmentária, mas completa e definitiva, em Cristo Jesus, seu unigênito Filho. Quão grande é o privilégio que temos, em Cristo, de receber essa majestosa, gloriosa, rica e redentora revelação de Deus por meio do Evangelho. Sem dúvida, nem todos têm sabido apreciar e louvar a Deus por essa “tão grande salvação” (cf.Hb.2.3).

4. O Tempo da Revelação

Essa nova, última e completa revelação de Deus se dá, segundo o autor aos Hebreus, na era messiânica, nos tempos de Cristo, a saber, no Último Dia[13]. Como cumprimento dos tempos salvíficos, em Cristo, Deus, por meio de seu próprio Filho dá aos homens a sua última e definitiva Palavra de Revelação Redentiva. É nessa última hora que Deus fala de modo definitivo[14] e decisivo aos homens. É chegado o fim da história, o fim do mundo, o fim de tudo. E é também aqui que Deus se revela aos homens como caminho de salvação por meio da obra de Cristo Jesus. Estamos, portanto, nos Últimos Dias, por isso e necessário reiterar nas palavras do autor aos Hebreus, “como escaparemos nós se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb.2.3a)

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Denes F. Izidro

Possui graduação em Teologia pela Universidade Luterana do Brasil (1999-2005;2008) e pós-graduação em História do Paleocristianismo pela Universidade de Brasília (2009),sendo Pós-graduando em Antropologia Cultural pela UNIFIL-PR. É também membro pesquisador e docente da SEBI-Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares,em Brasília-DF.Suas principais áreas de interesse e pesquisa são Proto e Paleocristianismo, Teoria da História,Historiografia,História Antiga,Arqueologia do Antigo Oriente Próximo,Antropologia Cultural,Teologia Exegética,Teologia Bíblica,Literatura do Cristianismo Primitivo,Novo Testamento,Jesus Históricos e afins. (Texto informado pelo autor)

  
[1] Esse pequeno artigo pretende ser uma homenagem de gratidão ao meu amigo e sempre mestre na exegese bíblica professor Airton Williams Vasconcelos Barboza, por tudo que fizera, e ainda faz, para me formar um ministro que glorifique a Deus com seus dons e ministério. Obrigado caro amigo e professor.

[2] Essa tradução, de Correspondência Formal, é do autor. Portanto, suas possíveis inexatidões também lhe pertencem.

[3] Nada sabemos sobre a autoria, datação (80 ou 90 d.C.; 68 d.C.?) e destinatários originais desse documento do Novo Testamento. Sua origem é a Itália (cf.13.24), seu objetivo é combater a apostasia e ressaltar a grandiosidade de Cristo como Sumo Sacerdote de uma Nova e Superior Aliança. Para uma interessante e sintética discussão histórica sobre Hebreus, sua natureza e origem, veja MAUERHOFER,Erich.Uma introdução aos Escritos do Novo Testamento.São Paulo:Vida,2010.pgs.484-505; Confira ainda, para uma análise especializada, não obstante panorâmica, a importante obra de um dos maiores estudiosos de Hebreus, Albert Vanhoye,A mensagem da Epístola aos Hebreus.São Paulo:Paulinas,1983.

[4] Polumerw=j kai\ polutro/pwj pa/lai o) qeo\j lalh/saj

[5] e)la/lhsen h(mi=n

[6] o( qeo\j lalh/saj toi=j patra/sin e)n toi=j profh/taij

[7] e)la/lhsen h(mi=n e)n ui(%=

[8] o(\ e)/qhken klhrono/mon pa/ntwn

[9] di )ou(= kai\ e)poi/hsen tou\j ai)w=naj

[10] o( qeo\j lalh/saj toi=j patra/sin

[11] Polumerw=j kai\ polutro/pwj pa/lai o) qeo\j lalh/saj

[12] e)la/lhsen h(mi=n e)n ui(%=

[13] e)p )e)sxa/tou tw=n h(merw=n tou/twn


[14] e)la/lhsen h(mi=n

publicado em: www.sebi.com.br

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