CONTRIBUIÇÕES

Amados irmãos e irmãs, a paz de Cristo. Se for da sua vontade, e direção do Senhor em sua vida, contribuir com este ministério, mantemos a conta abaixo para contribuições à nossa igreja. Antecipadamente, agradecemos a todos pelo carinho e amor, e rogamos as ricas bênçãos do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo sobre vós. Um forte abraço. Pr. Airton Williams -Banco Sicoob (756) , Agência 4332, Conta 4428-8 - CNPJ 33.413.053/0001-93 em nome da Igreja Cristã de Confissão Reformada. Quaisquer dúvidas, peço a gentileza de que entrem em contato: iccreformada@gmail.com

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

HOMEM DE DORES



Daisy Alves Artigos

26/11/2015

Por todos os cantos a terra geme. Seus habitantes, atônitos, pranteiam. Violência, guerra, terrorismo, perseguições, injustiças, ódios, tramas, soberba, corrupção, ardis, fuzis, bombas… dores.

As reações são as mais diversas: indiferença, comoção, revolta. Os que sofrem estão abatidos com angústia de alma, talvez uma sensação de abandono ou de desalento.

Uma pergunta é inevitável: “Até quando, Senhor?”

Incrédulos refutam: “Será que o Senhor está vendo? Será que Ele se importa?”

– Sim, Ele vê e também sente! Ele conhece a aflição, ouve o clamor.

Há mais de dois mil anos Jesus Cristo, o Filho de Deus, se fez homem – Homem de dores[1] – como bem o descreveu Isaías, 700 anos antes da crucificação. Santo, sem pecado, viveu num mundo deformado e conviveu com pecadores – uns de coração ensinável; outros, legalistas, obstinados, incrédulos e opositores. Foi humilhado e tentado, porém sem pecar. Seus sofrimentos não se restringiram às últimas horas anteriores à morte na cruz. Ele sofreu durante toda a sua encarnação e depois morreu, mas também ressuscitou para que tivéssemos vida e vida em abundância. Como Ele o fez?
Primeiro dispôs-se a deixar seu trono de glória para esvaziar-se, tomando a forma de servo[2] – Ele que é um com o Pai. E tornou-se obediente até a morte, e morte de cruz[3].

O caminho da obediência foi para Ele, ao mesmo tempo, um caminho de sofrimento. Ele sofreu com as repetidas investidas de Satanás, com o ódio e a incredulidade do Seu povo, e com a perseguição dos Seus inimigos. Visto que Ele pisou sozinho o lagar, a Sua solidão só tinha que ser deprimente e o Seu senso de responsabilidade, esmagador. Seu sofrimento foi um sofrimento consagrado, e cada vez mais atroz, conforme o fim se aproximava. O sofrimento iniciado na encarnação chegou finalmente ao clímax na passio magna (grande paixão) no fim da Sua vida. Foi quando pesou sobre Ele toda a ira de Deus contra o pecado[4]

  
Inocente, se fez culpado. Autor da vida, mas derramou sua própria vida pelos eleitos. Justo, mas crucificado entre criminosos, como se fora um deles. Escarnecido, porém perdoador.

Jesus Cristo nasceu não apenas para ensinar e curar. Ele teve que suportar sofrimentos escandalosamente intensos. A Palavra testifica: “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar…”[5].

O pecado dos primeiros pais e, consequentemente, de toda a humanidade trouxe sobre toda a natureza um estado de maldição e juízo. O homem tornou-se escravo do pecado, impossibilitado de salvar a si mesmo. Deus não tinha obrigação de salvá-lo, mas Ele o fez e por sua graça. Por um só homem veio a morte, mas o misericordioso Deus nos proveu grande salvação.

Para cumprir cabalmente sua grandiosa missão, Jesus nasceu em uma pequena cidade em vez de um grande centro urbano; repousou entre animais numa estrebaria, não em um palácio; na mais tenra infância foi considerado uma ameaça, tornando-se forasteiro no Egito. Passado o perigo inicial, retornou a Israel e foi morar em Nazaré, que parece ter sido uma localidade desprezada pelos judeus, a julgar pelo comentário de Natanael: “Pode haver coisa bem vinda de Nazaré?”[6]

Tão logo atingiu a idade pré-estabelecida por Deus, iniciou seu ministério. Mas, a partir de então, Ele não tinha onde reclinar a cabeça. Esteve sujeito a uma série de situações adversas: escapou das mãos dos seus opositores algumas vezes; ainda que tenha se compadecido de multidões, foi odiado; ao fazer o bem, foi injuriado. Até mesmo foi taxado de “peste”, “promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo e chefe da seita dos nazarenos”[7]. Conforme predisse Isaías, Ele de fato foi “desprezado e o mais rejeitado entre os homens”.

A cruz estava nos planos divinos desde a eternidade, desde a nossa pré-história[8] porque, sendo onisciente, Deus viu que o homem cairia, mas nosso misericordioso Deus não seria pego de surpresa, antes, planejou a salvação. Para tanto, seria necessária a voluntariedade de Jesus – Ele que é a causa, o conteúdo e a manifestação da graça de Deus. Jesus – o Homem de dores – se fez homem para tomar o nosso lugar e receber a punição a que nenhum homem subsistiria. Somente Ele tem os atributos, santidade e características favoráveis para se entregar, morrer, ressuscitar e vencer o pecado e a morte.

Ainda que tenha vivido em sua divina humanidade entre nós, “não teve por usurpação ser igual a Deus”[9] Renunciou aos privilégios inerentes à sua pessoa e status, ao realizar o auto sacrifício num gesto de amor sem igual.

“F. F. Bruce interpreta corretamente essa questão, quando escreve: Não existe a questão de Cristo tentar arrebatar, ou apoderar-se da igualdade com Deus: ele é igual a Deus, porque o fato de ele ser igual a Deus não é usurpação; Cristo é Deus em sua natureza. Tampouco existe a questão de Cristo tentar reter essa igualdade pela força. A questão fundamental é, antes, que Cristo não usou sua igualdade com Deus como desculpa para autoafirmação, ou autopromoção; ao contrário, ele a usou como ocasião para renunciar a todas as vantagens ou privilégios que a divindade lhe proporcionava, como oportunidade para auto empobrecimento e auto sacrifício sem reservas”[10].


O sangue de touros e bodes jamais poderia tirar os pecados, mas o sangue do Filho seria singular, abrangente, vivificador, suficiente.

Nós, crentes ou incrédulos, não podemos avaliar nem mesmo minimamente o quanto Jesus sofreu durante sua humanidade. Temos a tendência pecaminosa de sempre achar que a nossa dor é a maior de todas, que ninguém pode entender o que passamos. Mas Jesus sabe, porque Ele sentiu em si mesmo, tanto a dor física quanto a espiritual. E de forma tão brutalmente intensa como ninguém.

Antes de ser preso, o Homem de dores sentiu em sua alma uma angústia sem par e até mesmo suou sangue quando orou no Getsêmani. “Sua pele ficou empalidecida, suas pupilas se dilataram, seus músculos se enrijeceram e ele começou a tremer durante toda a noite”[11].

Frederick Zugibe – médico legista e escritor – explicou o que se passou no organismo de Jesus: “o sistema nervoso, uma vez acionado, fez o fluxo sanguíneo desviar-se das regiões periféricas para o cérebro. Batimentos cardíacos e respiração estavam acelerados”. Ele sabia que era apenas o começo de horas de tortura.

Logo após sua prisão foi violentamente açoitado por soldados romanos (117 golpes, já que o chicote tinha três pontas). As pontas do açoite tinham objetos de metal, lascas pontiagudas de osso e lâminas que dilaceraram sua carne com possível laceração no baço e no fígado. Nas horas seguintes “houve um vagaroso acúmulo de fluido (efusão pleural) ao redor de seus pulmões, causando dificuldades na respiração”[12].

Pesquisadores asseveram que Jesus – o Homem de dores – não recebeu uma coroa de espinhos, mas um capacete de espinhos. Ramos de nervos da cabeça foram feridos, o que provocou “dores lancinantes”. Como se não bastasse, bateram em sua cabeça com uma cana ou uma vara, de modo que os espinhos penetraram no couro cabeludo e aumentaram a tortura.

Na etapa seguinte da paixão, amarraram nos ombros de Jesus Cristo a parte horizontal de sua cruz (cerca de 22 quilos) e penduraram em seu pescoço o “título” (em grego, “crucarius”), placa com o nome e o ‘crime’ cometido. Seguiu-se então uma caminhada de cerca de oito quilômetros. A distância percorrida até o Gólgota era particularmente difícil devido ao escárnio, humilhação e rejeição dos espectadores que acompanhavam a via crucis. Somente inimigos do Estado ou marginais perigosos eram condenados à morte por crucificação. O forte calor do sol e o peso da barra transversal nos seus ombros irritados, bem como a condição em que o Homem de dores se encontrava após tantos traumas físicos, causaram-lhe intensa fraqueza e tontura, de modo que ele tropeçasse e caísse.

A essa altura as vestes de Jesus já estavam grudadas nas feridas de seu corpo, devido ao sangue coagulado resultante do açoitamento. Evidentemente que, ao chegar ao local da crucificação, suas vestes devem ter sido abruptamente arrancadas de seu corpo provocando grandes surtos de dor. Os romanos eram cruéis na arte de torturar.

Crucificado, Jesus ainda suportou mais agonia. Não podia relaxar o corpo sem sufocar. Era todo sofrimento. Não havia parte sã na sua carne, pois “…ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar…”.

No clímax desta história de humilhação e sofrimento, Deus derramou sobre Cristo a ira que nós merecemos e aceitou o sacrifício vicário substitutivo para que nós, os pecadores, pudéssemos ser justificados. O clamor de Jesus Cristo ecoou no mundo para que se confirmasse que Deus é santo e Ele não admite permanecer na presença do pecado. Jesus se fez pecador em nosso lugar, daí a pungente exclamação: “Eloí, Eloí, lamá, sabactani? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”[13] As palavras de Jesus são tiradas diretamente do Salmo 22:1, escrito cerca de 1000 anos antes. A maior parte deste salmo é uma profecia do sofrimento que Jesus suportaria na cruz.

Depois, sabendo Jesus que todas as coisas já estavam consumadas, inclinando a cabeça, “entregou o espírito”[14].

Para confirmar sua morte, um soldado perfurou-lhe o lado. A lança feriu o átrio direito do coração de Jesus, que teria se enchido de sangue. Uma maciça efusão pleural já se fazia presente. O rápido e violento movimento da lança teria liberado o sangue e a água.

Na cruz, pela água e pelo sangue vertidos, Deus deixou-nos a seguinte mensagem: Jesus nos purificou, ele é a água da vida, seu sangue nos lavou dos pecados. E Jesus não veio apenas para morrer em nosso lugar. Ele foi o Homem de dores, que conhece a nossa estrutura e as nossas aflições. Mas também veio para vencer o pecado, a morte e o diabo, através de sua morte e ressurreição.

“e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz”[15]

O homem natural não entende o por quê de tanto martírio. Somente aquele que nasceu de novo pode desfrutar e entender a grandiosa obra da salvação.

Jesus Cristo viveu como um de nós; foi tentado e humilhado, mas não pecou. E em sua natureza divina, sacerdote da ordem de Melquisedeque, ofereceu a si mesmo em favor de muitos, e sabe compadecer-se dos pecadores.

O conhecimento de Deus faz com que possamos entender que sozinhos tudo fica muito difícil. Jesus ensinou: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo. 15:5). Quanto mais nos aproximarmos de Deus, mais forças teremos para lutar e superar as adversidades, mais coragem diante dos sofrimentos, nossos e de outros, neste mundo tenebroso. Nossas aflições não são grandes. Grande é o nosso Salvador.

Disse Jesus: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”[16].

Martin Lloyd-Jones escreveu sobre a crucificação de Jesus: “Saiba que não fomos nós que levamos o Filho de Deus até a cruz. Foi o próprio Deus. Foi por seu propósito predeterminado e presciência”[17].

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus!

Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!”[18]
O Homem de dores viu o fruto do seu trabalho e ficou satisfeito. Nasceu, sofreu e morreu por mim e por você.

O Homem de dores triunfou! Que verdade gloriosa! Seu túmulo está vazio. Ele vive! Podemos ter certeza: Ele é o socorro bem presente na hora da angústia. Não tema, Ele cumpre sua promessa: “eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”[19]

Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade!



[1] Is 53:3
[2] Fp 2:7
[3] Fp 2:8
[4] BERKHOF, Louis. Teologia sistemática. Tradução de Odayr Olivetti. 3. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 310
[5] Is 53:10
[6] Jo 1:46
[7] Atos 24:5
[8] PARANAGUÁ, Glênio Fonseca. Cruz credo! O credo da cruz. Londrina: IDE, 2002, p. 22
[9] Fp 2:6
[10] F. F. Bruce in http://hernandesdiaslopes.com.br/2009/04/a-humilhacao-e-a-exaltacao-de-cristo/#.VijLB5M0O_g
[11] ZUGIBE, Frederick T. A crucificação de Jesus: as conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal, 2ª ed. São Paulo: Ideia & Ação, 2008.
[12] Zugibe, p. 36
[13] Mc 15:34
[14] Jo 19:28-30
[15] Cl 2:14, 15
[16] Jo 16:33b
[17] LLOYD-JONES, Martin A mensagem da cruz: o caminho de salvação de Deus. 1ª ed. Brasília: Palavra, 2009, p. 79
[18] Rm 11:33
[19] Mt 28:20



Daisy Alves é divorciada e mãe de Jaqueline Aves e Arthur Alves. Aposentada como Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Governo do Distrito Federal. Conselheira na equipe de conselheiros bíblicos da Sebi – Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares, com treinamento pelo NUTRA – Núcleo de Treinamento, Recursos e Aconselhamento Bíblico (SP) – 2014 e pela ABCB – Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos (SP) – 2012-2015.

Professora da Sebi – Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares; Pós-Graduação Latu Sensu em nível de Especialização em Aconselhamento Bíblico, pela Faculdade Mauá de Brasília/Sebi – 2013; Bacharel em Teologia pela Faculdade Faifa, Ministério Fama – 2012; Bacharel livre em Teologia/Cum Laude, pela Associação Multiministerial Ebenézer – 2011; Curso Intensivo de Capelania Evangélica, OCEB – Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil – 2011; Inglês Instrumental para Teologia pela SEBI – 2011; Inglês nível 3A, COPLEM – Cooperativa de ensino de língua estrangeira moderna – 2008; Oratória: A arte de falar em Público, SENAC/DF – 2008; participou do 1º Seminário de Religião para Jornalistas e Líderes Evangélicos, na Igreja Batista Central de Brasília – 2007; Treinamento em Estratégias de Relações Públicas pela Secretaria de Trabalho, Emprego e Renda do DF, Instituto de Desenvolvimento de Recursos Humanos e SENAC/DF – 2000; Instrutor de Informática, Centro de Informática de Brasília – 1997; participou do I Fórum de Plantas Medicinais do Distrito Federal e Entorno, Secretaria de Meio Ambiente, Ciências e Tecnologia do Distrito Federal – 1996; participou do I Congresso Brasileiro de Medicina e Terapias Naturais, Instituto Médico Seraphis e Nova Acrópole do Brasil (DF) – 1994; Curso de Introdução à Homeopatia (06 h) pelo Instituto Médico Seraphis e Nova Acrópole do Brasil (DF) – 1994; Curso de Extensão universitária em História Afro-Brasileira, pela UNB – Universidade de Brasília (Decanato de Extensão – Departamento de História) – 1988; Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, pela Sociedade Unificada de Ensino Superior Augusto Motta (RJ) Atual Universidade Augusto Motta – 1980; Comunicação Oral – Ministério da Educação e Cultura – Serviço de Radiodifusão Educativa – Rádio MEC (RJ) – 1980; Inglês nível 2 pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ – 1979.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

NÃO DEIXEMOS DE CONGREGAR-NOS 2

Amados , este vídeo foi gravado durante o culto do dia 22 de Novembro de 2105, ministrado pelo Pr. Airton Williams no livro de Hebreus, Capítulo 10, versículos 19 ao 31.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

NÃO DEIXEMOS DE CONGREGAR-NOS

Amados , este vídeo foi gravado durante o culto do dia 15 de Novembro de 2105, ministrado pelo Pr. Airton Williams no livro de Hebreus, Capítulo 10, versículos 19 ao 31.

QUEM É SATAN, NO LIVRO DE JÓ?



Em 2009, comecei a pregar sobre a questão do sofrimento na igreja que pastoreava, a Episcopal Carismática de Brasília. Onde meditando a partir do livro de Jó. Todavia, para uma correta compreensão do livro e de sua mensagem, é necessário desmistificar a figura de satan na história. Antes, gostaria de deixar claro que creio na existência de Satanás e no seu poder (ainda que limitado) para enganar e aprisionar as almas.

Assim, creio em possessão demoníaca, opressão maligna, e todas as demais coisas que a fé cristã tem declarado, historicamente, sobre a ação do diabo. Isto, porém, não me obriga a ver o diabo em todo lugar da Bíblia e a interpretar o termo satan como Satanás quando, claramente, o texto não o afirma.

A fim de evitar que você se perca nas meditações sobre o sofrimento, decidi postar este artigo antes, para que a leitura, posterior, flua melhor. Aqui, pretendo demonstrar porque satan, em Jó (e que fique bem claro isto, no livro de Jó), não refere-se a Satanás, mas a um anjo da corte celeste, cuja função é a execução punitiva da vontade do SENHOR e por à prova o coração dos homens diante de Deus. Há 8 pontos para serem ponderados:

1. Do ponto de vista linguístico, temos um sério problema. O termo satan, em hebraico, é precedido de um artigo, lendo-se, neste caso, hasatan. Ora, quem conhece hebraico sabe que, neste caso, não se trata de nome próprio, mas de um título que exige tradução, sendo esta a de “acusador”. Porque estamos acostumados a ver o diabo como “acusador”, interpretamos a passagem, imediatamente, como se referindo a ele. Acontece que no Antigo Testamento há um anjo da corte celeste que recebe este título também por causa de sua função, uma espécie de “promotor” da corte. Além disso, ele se faz presente no Êxodo (na matança dos primogênitos), com Saul (atormentando sua vida), no censo de Davi, e na corte, novamente, acusando o sacerdote Josué (Zacarias 3.1).

2. Em 1.6 se diz: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também satan entre eles”. Observe que o texto afirma, “entre eles”. Talvez isto não fique claro para você, mas em hebraico a ideia refere-se a alguém daquele grupo. Ou seja, satan era contado entre os filhos de Deus, expressão que se referia aos anjos dos céus (é importante observar que filhos de Deus aqui em Jó não é a mesma coisa que filhos de Deus em Gênesis 6.2, o qual diz respeito à descendência adâmica).

3. Do ponto de vista teológico, surge outra questão. Se satan, em Jó, fosse Satanás, teríamos uma situação complicada, pois nesta ocasião este já teria sido expulso dos céus por causa de sua rebelião. Em 2.1 este satan volta a se apresentar diante de Deus com os demais anjos. Se ele foi expulso do céu, de onde vem esta liberdade para ficar entrando no céu sem reprimenda de Deus? Muitos teólogos falam da “vontade permissiva de Deus”, mas esta é uma dedução que não pode ser tirada do texto, pois o mesmo nada fala desta vontade. A leitura natural do texto é que tal figura era um anjo da corte, e não o inimigo de Deus e de nossas almas, o diabo.

4. Em 1.19 se fala de fenômenos da natureza que teriam provocado a morte dos filhos e filhas de Jó. Neste sentido, toda a teologia bíblica afirma que tal poder sobre a natureza somente Deus tem. É por isso que os discípulos ficam assustados quando Jesus manda o vento e o mar acalmarem.

5. Do ponto de vista literário, o sofrimento de Jó, em momento algum, é atribuído ao diabo, mas a Deus. Quando todos os males vêm sobre Jó, sua mulher ataca sua integridade diante dos males e recebe como resposta: “falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?” (2.10). Observe, Jó tem como certo que o mal, sofrimento, que recebe vem de Deus, e não do diabo.

6. Os amigos de Jó em momento algum cogitam da possibilidade daquele mal vir de Satanás, mas em todo momento entendem que procede de Deus por causa de algum pecado de Jó.

7. A partir do capítulo 38 Deus entra em cena e assume para si toda a situação manifestando sua soberania. Novamente, nenhuma acusação é feita a Satanás.

8. No final do livro, cap. 42, a sorte de Jó é mudada, e por isso, seus parentes vem festejar com ele. No v.11 se diz: “Então, vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quanto dantes o conheceram, e comeram dele, e o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado”. Observe, o mal, sofrimento, é atribuído a Deus, e em momento algum se fala do diabo.
Não estou fazendo uma apologia do diabo, não. Apenas estou fazendo uma análise literária e lexicográfica do sentido de satan, em Jó. E neste sentido, o termo refere-se ao anjo da corte celeste.

Por que este entendimento é importante?

1. Porque desmistifica as elucubrações e devaneios dos proponentes da “batalha espiritual” que fica atribuindo ao diabo mais poder do que, de fato, ele tem.

2. Porque desfaz a teologia maniqueísta de que Deus e o diabo estão num confronto por representarem forças iguais. O diabo, de si mesmo, nada mais é do que um ser vencido pelo sangue do Cordeiro, o nosso Senhor e Salvador Jesus.

3. Porque nos ajuda a entender a soberania e a natureza de Deus em meio ao sofrimento. O nosso Senhor não é escravo da nossa vontade, podendo dar-nos tanto o bem quanto o mal, do jeito que quiser e quando desejar, visando o nosso crescimento.

Creio que a partir deste entendimento o livro de Jó se mostra mais encantador, pois nos revela um Deus soberano, amado não pelo que dá aos seus servos, mas pelo que é, Senhor e galardoador da vida. Com este entendimento, convido-o a ler as mensagens que serão postadas nas próximas semanas.



Airton Williams - Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul (Campinas-SP) e pela Universidade Luterana do Brasil, ULBRA (Canoas-RS), Mestre (Th.M) em Teologia Exegética pelo CPAJ-Mackenzie-SP e pós-graduado em Ciências da Religião e em Língua Portuguesa, com concentração na Análise do Discurso, autor dos livros “O Amor de Deus derramado em nossos corações” e “O mito e a história na criação: uma análise literária de Gênesis 1.1-2.3”, ambos publicados pela Fonte Editorial; Certeza de Salvação e Discernindo Dons Espirituais ambos pela Sebi Editora.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A IMPORTÂNCIA DOS ESTUDOS EXEGÉTICOS E A DICOTOMIA COM A VIDA DE FÉ




Airton Williams Artigos 02/11/2015

O estudo da Bíblia tem sofrido nos últimos anos um descaso, até então, sem precedentes. Desde a Reforma Protestante que se tem dado atenção em especial ao texto em si, procurando compreendê-lo a fim de melhor explicá-lo. Foi abandonada, ali, a exegese do “quadruplo sentido das Escrituras”, que tornava os resultados interpretativos muito subjetivos, e passou-se a valorizar o “sensus litteralis”, ou sentido literal, que procurava ouvir a mensagem objetiva do texto.

Desde então, nestes últimos quatro séculos, tem sido a ênfase dos estudos bíblicos esta busca pelo sentido primário, aquele que o autor do texto pretendia. Assim, a exegese avançou muito em seus estudos textuais, históricos, literários e filológicos.

No entanto, nossa geração tem abandonado, paulatinamente, estas ênfases e tem valorizado e praticado uma espécie de leitura mística das Sagradas Escrituras. Tal leitura se pauta, acima de tudo, pela alegorização do que lê, procurando encontrar sentidos “ocultos” e “profundos” para além do próprio texto. Como resultado, se tem caído em explicações textuais estranhas, e até mesmo bizarras, à intenção do autor.

Quando olhamos para a proposta da Reforma Protestante, baseada no método Histórico-Gramatical, e vemos os esforços posteriores da igreja reformada em se aperfeiçoar a exegese bíblica (e.g o Método Histórico-Crítico), nos perguntamos, inevitavelmente: onde erramos? O que aconteceu para que todo esforço por uma exegese fiel à mensagem do texto fosse ignorada pela igreja cristã subseqüente à Reforma? Creio que alguns fatores contribuíram fortemente para este afastamento de uma exegese responsável e comprometida com a mensagem pretendida pelo escritor sagrado.

Por meio de minha vivência como pastor e professor de exegese bíblica, tenho observado que o primeiro ponto de afastamento entre uma exegese fiel e uma interpretação falsa das Escrituras se dá em função do avanço acadêmico dos estudos exegéticos. Por mais paradoxal que isto pareça, com o avanço dos estudos exegéticos a Bíblia foi se tornando um estranho nas mãos do povo, a tal ponto que as ferramentas adquiridas para uma melhor compreensão da mesma acabaram se tornando armas apontadas contra aqueles que se arriscavam a interpretá-la. Assim, as pessoas começaram a se intimidar diante daquilo que deveria ser uma ferramenta, e porque se tornou uma arma começaram a rejeitá-la.

Se não bastasse a exegese se tornar uma estranha no meio do povo de Deus, os resultados propostos (principalmente pela exegese liberal das Escrituras) passaram a assustar os crentes piedosos, que de forma genuína amam ao Senhor. Assim, os resultados advindos da exegese passaram a intimidar os leitores da Bíblia. No início, a intenção era que estes estudos abalizados produzissem um profundamento da fé desvendando algumas das inúmeras dificuldades interpretativas da Bíblia. Entretanto, o que se viu foram resultados extremamente áridos. Literalmente, se caiu no perigo que o apóstolo Paulo já havia advertido na Segunda Carta aos Coríntios, cap. 3.6: “O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica”.

A exegese se apegou a tantos detalhes de somenos importância que em vez de resolver os problemas existentes acabou criando mais. Com isso, a fé deixou de ser aprofundada para ser questionada. Isto produziu nas igrejas um vazio enorme, pois ao ouvirem algum estudioso bíblico ficavam com as perguntas que lhes eram mais importante : E daí? O que isso tem a ver comigo, com a minha fé? Como isso melhora meu relacionamento com Deus e o mundo à minha volta?

Como a exegese, com todas as suas ferramentas, não conseguiu fazer conexão, durante muito tempo, entre seus resultados e as necessidades espirituais dos seres humanos, as pessoas começaram a se distanciar daquilo que antes havia sido celebrado com alegria, a leitura literal das Escrituras. Assim, começamos a ver na geração presente o ressurgimento da leitura alegórica, subjetiva, mas que fala ao coração. E à medida que a filosofia pós-moderna avança, rejeitando todos os absolutos e relativizando tudo, o estudo exegético passa a ser visto como algo desnecessário, pois quando muito, produzirá algo que não nos diz respeito. Há até mesmo aqueles que veem nisso pura laboração humana sem nenhuma presença de Deus, portanto, “carnal”.

Esta leitura mística acabou por jogar fora “da bacia a água suja junto com a criança”. Todos os avanços que foram importantes para a solidificação da fé Reformada, e a igreja Evangélica subseqüente, foram simplesmente rejeitados. A concepção interpretativa da Bíblia nas igrejas contemporânea não consegue ver nenhuma utilidade para o estudo textual, histórico, literário e lingüístico. Tudo isto passa a ser considerado esforço de pessoas “sem o Espírito Santo”, “frias” na sua relação com Deus, “amantes da letra” que mata.

Por causa disso, temos visto uma série de doutrinas heterodoxas surgirem no meio de nossas igrejas. De repente, começamos a ouvir falar sobre crentes quebrando “maldições hereditárias” em suas vidas, possuídos por espíritos malignos, fazendo “regressão espiritual” para curar traumas passados, ministrando “perdão” a Deus, guerreando contra “espíritos territoriais”, e tantos outros ensinos até então desconhecidos. E a cada dia surgem tantas novidades “espirituais” que fica difícil, para a maioria dos cristãos, distinguir o que é bíblico, de fato, daquilo que pretende ser bíblico, mascarando falsos ensinamentos que pervertem a igreja de Cristo Jesus.

Se por um lado o estudo exegético corre o risco de gerar uma fé árida, destituída de vida (podendo, inclusive, perder até mesmo a própria fé), por outro lado, a leitura mística corre o risco de nos conduzir a uma fé alienada da verdade revelada por Deus em suas Escrituras, gerando, por sua vez, uma vida desconexa à vontade de Deus e, consequentemente, conduzir-nos ao inferno.

Diante do exposto, e dos desafios que se nos impõe a realidade apática de amor genuíno pela Palavra de Deus presenciada na maioria esmagadora das igrejas reformadas e evangélicas atuais, precisamos reagir atendendo a dois clamores bíblicos intratextuais que precisam ser conciliados em nossa tarefa de extrair e expor com fidelidade as Sagradas Escrituras.

Primeiro, a Bíblia requer obreiros preparados que saibam manejá-la bem (2Tm 2.15), pois este é um dos traços distintivos entre o líder cristão fiel a Deus e o mercenário (2 Co 2.17), a fim de evitar distorções da sua mensagem (2 Pe 3.15,16). É neste contexto que vemos a importância de um estudo abalizado que procure ouvir a voz do Senhor tal como nos foi revelada, e não segundo nosso entendimento em particular como pessoas ou grupo denominacionalista. Não é incomum ouvirmos, após uma exposição bíblica que contrarie interesses, expressões do tipo: “esta é a sua interpretação da Bíblia; existem outras”. Tais falas refletem este espírito individualista de verdade.

Esta Palavra, para ser bem manejada, requer conhecimentos Históricos (pois o nosso Deus se fez conhecido na história da humanidade), Literários (pois Deus não anulou o escritor sagrado quando o inspirou, razões pelas quais encontramos diversos gêneros literários na Bíblia, os quais possuem características distintivas), e Lingüísticos (pois Deus se fez ouvir através de línguas que nos são estranhas ou diferentes, entretanto, usuais quando de sua manifestação). Quando desprezamos estas coisas, desprezamos a voz de Deus, e passamos a impor nossas vozes como a voz do Senhor.

Segundo, a Bíblia requer, também, que sua mensagem conduza o pecador à salvação e ao crescimento por meio do ensino, repreensão, correção, educação na justiça, a fim de que este seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (2 Tm 3.14-17). Jesus nos disse: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39), portanto, o estudo das Escrituras tem que nos conduzir a vida eterna que está em Cristo.

Como dissemos no início, nossa geração tem desprezado o estudo sério das Escrituras e favorecido uma leitura subjetiva, alienante e mística da mesma. Com isso, tem se desviado, em muito, das verdades eternas reveladas nas Sagradas Escrituras. Por isso, é mister, como ministros de Deus, chamados para o santo ofício da pregação e ensino de sua Palavra, resgatarmos a importância do estudo objetivo da Bíblia, desfazendo a insensatez daqueles que a distorcem para a perdição de quem os ouvem e os seguem. Entretanto, para isso, precisamos estar cientes de que a exegese deve ser encarada como ferramenta para aprofundamento da fé daquele que a utiliza e daquele que recebe os resultados do seu trabalho bíblico, e não como uma arma apontada contra a fé de nossos irmãos em Cristo.

Aplicate-te totalmente ao texto, aplica-o totalmente a ti.
(Johann Albrecht Bengel)
Airton Williams

Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul (Campinas-SP) e pela Universidade Luterana do Brasil, ULBRA (Canoas-RS), Mestre (Th.M) em Teologia Exegética pelo CPAJ-Mackenzie-SP e pós-graduado em Ciências da Religião e em Língua Portuguesa, com concentração na Análise do Discurso, autor dos livros “O Amor de Deus derramado em nossos corações” e “O mito e a história na criação: uma análise literária de Gênesis 1.1-2.3”, ambos publicados pela Fonte Editorial; Certeza de Salvação, Discernindo Dons Espirituais e Não Andeis Ansiosos ambos publicados pela Editora Sebi. Há 18 anos trabalha como conselheiro bíblico.

Texto retirado do site: www.sebi.com.br

PREOCUPAÇÕES PASTORAIS COM A IGREJA



Após duas décadas servindo ao Senhor como pastor e lidando com várias questões pertinentes a integralidade do Cristianismo, tenho visto muitas coisas acontecendo em torno e no seio da igreja, quando uso o termo igreja não estou me referindo a nenhuma denominação especificamente, ou a qualquer igreja local, mas ao que se conhece de forma geral com esse termo, por tanto não é intenção desse trabalho, agredir ou enaltecer a nenhuma comunidade específica. As afirmações aqui empregadas são direcionadas de forma geral, mas considerando as exceções, sabendo que o Senhor mesmo tem guardado um remanescente fiel.

A forma da igreja se portar tem causado bastante estranheza, visto que a sua maneira de ser e de se relacionar com o mundo e a cultura a sua volta em vários aspectos, não condiz com aquilo que Deus determinou nas Sagradas Escrituras. Aqueles que a observam ficam com uma nítida impressão de fracasso.

O atual estado da igreja é de fato muito preocupante, pois ela tem sido conivente com a corrupção, com a ganância e com a forma secular geral de se pensar a vida. Com isso, assistimos uma igreja irresponsável e apática quanto ao temor do Senhor e a vida em santidade e obediência, abominações indizíveis são aceitas e até aplaudidas nesse tempo.

Ao que parece essa perdição se multiplica a cada momento, ganha cada vez mais espaço e uma cegueira impressionante não lhe permite ver que está correndo em alta velocidade para um estado de apostasia generalizada. Fato que só não ocorreu ainda, por causa da graça de Deus que através do seu remanescente fiel faz com que ela ainda tenha um pouco de luz.

Atualmente vivemos tempos difíceis em que a igreja se mostra perdida e sem rumo, em um mundo caído sem esperança, ao invés de resplandecer à Cristo para esse mundo, ela se encontra na mesma condição; e o que é pior, regida por esse mesmo mundo na sua forma de pensar e agir.

Cristãos que outrora eram zelosos com a sã doutrina estão se esquecendo dos termos pactuais da aliança, eles agora se rendem as coisas que a Escritura reprova como o divórcio, que quebra o símbolo pactual do casamento.

Casamento esse que tem a finalidade de refletir a própria trindade santa no que constitui a família, isto é um homem se unindo a uma mulher para se tornar uma só carne com ela e gerar filhos. Até as coisas que o próprio Deus chama de abominação, como, por exemplo o homossexualismo que tem a missão de implodir a família a qual Deus objetivou com a referida finalidade já não incomodam como deveria. Tais desobediências e abominações agora são aceitas e praticadas com legitimidade por parte de algumas denominações e igrejas locais.

Os que são favoráveis a tais práticas, o fazem sob a alegação de que a Bíblia que antes era tida como autoridade absoluta para essas e outras questões, não pode mais legislar sobre essas coisas visto que é um livro antigo, escrito por pessoas de outras culturas completamente alheias a nossa realidade pós moderna, por tanto não devem ser consideradas as suas afirmações sobre os referidos assuntos.

A igreja de hoje não tem critérios para discernimento em seus relacionamentos no aspecto de comunhão. Com a multiplicação das denominações evangélicas no Brasil, se multiplicam também as seitas que se intitulam igrejas cristãs. A igreja atual deveria ter o mínimo de preocupação com a pureza da vida cristã, como por exemplo, o critério de atestar se uma comunidade, denominação ou igreja local tem as Escrituras Sagradas como inerrante Palavra de Deus e se a sua confissão de fé é condizente com o que ali é atestado por Deus antes de ter comunhão com tais seguimentos a volta da mesa do Senhor. Na verdade o que assistimos assustados é a igreja de braços dados e em plena comunhão com aqueles que negam não só a Bíblia, mas também ao próprio Deus quando questionam e negam a Trindade, isto é, o Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Falando ainda do problema da relativização e negação das Escrituras Sagradas é obvio que esse grupo também não crê na suficiência das mesmas para tratar o coração conflitante dos seus membros, o que faz com que a situação da igreja fique ainda mais caótica.

Muitos pastores desistiram do ensinamento sob a ótica de Deus revelada em sua Palavra, tanto para novos convertidos como para lideres e futuros pastores. Eles chegam ao pondo de não mais tratar o pecado como pecado, já não querem mais lidar com o sofrimento como Deus o vê, e consequentemente não levam essas pessoas a libertação, a cura e ao crescimento em fidelidade ao Senhor. Atualmente a igreja está ressignificando textos bíblicos a partir de uma interpretação irresponsável, falsa, profana e apostata. É dessa maneira que o comportamento pecaminoso foi recebendo nomes como doenças, síndromes, transtornos entre outros termos. Esses pastores não só se rendem e buscam ao pensamento secular, mas estão totalmente dominados e regidos pelo estudo da psicologia cujo a observação não consegue ultrapassar o limite do comportamento. Os pastores já não querem se envolver com os problemas das pessoas e preferem terceirizar o tratamento e cuidados com o rebanho, os conduzindo aos psicólogos e psiquiatras, negligenciando assim suas obrigações pastorais e desobedecendo de forma desonrosa aquele que os chamou para o sagrado ministério.

A cristandade por sua vez, não obstante a perdição do seu próprio coração e a sua forma pecaminosa de fazer escolhas, se encontram sem orientação da parte daqueles que deveriam guiá-los, estão sempre fazendo as piores escolhas, são irresponsáveis com as suas obrigações civis, isto é, não utilizam critérios bíblicos para as escolhas de seus governantes, são infratores e até burlam a lei, são desonestos com os impostos e corruptos em suas profissões. Teríamos milhares de testemunhos e experiências sobre desonestidades envolvendo cristãos para relatar, a começar por alguns pastores que abandonam o púlpito para se dedicar a política governamental e estão sempre aparecendo nos noticiários envolvidos em algum escândalo de corrupção. Os cristãos nesse tempo estão perdendo de vista o que é reino de Deus, esse é um conceito esquecido no relacionamento com o próximo e com o meio ambiente em geral. Ao idealizar uma profissão a preocupação única é a rentabilidade da mesma, ao escolher um cônjuge o egoísmo é gritante, o objetivo é a felicidade e quando a tal felicidade não é alcançada o divórcio é a próxima decisão errada a ser tomada.

O que dizer então do desespero consumista e do imediatismo que os motiva e os domina levando-os ao estresse a dependência de remédios e em alguns casos até ao suicídio. Pode parecer difícil de acreditar, mas ainda estou falando da igreja e acredito que continuar esse relato desconcertante, preocupante e vergonhoso é desnecessário. Acredito que os exemplos aqui descrevo são suficientes para no mínimo nos inquietar, porém acho necessário observar uma última questão que julgo ser ainda mais grave na lista das nossas preocupações com a igreja do nosso tempo.

As consequências do abandono às Escrituras, não tem limites, não se resume apenas ao fato de a igreja não possuir uma postura bíblica nos aspectos aqui já citados, mas faz também com que ela perca até mesmo a noção do que é santo, estamos falando de uma igreja que ao se reunir para prestar o culto solene coletivo transforma o ambiente em um palco de idolatrias, com ritos pagãos e simbolismos que não são cristãos, esses vão de símbolos do judaísmo antigo até ritos das chamadas religiões afro-brasileiras.

É também marca registrada dos cultos intitulados cristãos da atualidade uma estrutura litúrgica totalmente irreverente, desrespeitosa, escarnecedora e ultrajante à santidade de Deus. Os cultos foram transformados em verdadeiros espetáculos com apresentação de peças teatrais, e até exibições circenses. Esse ajuntamento não passa de entretenimento para os presentes, as músicas são para danças, agitação e satisfação dos que as promovem assim como dos que apreciam, as letras das mesmas são o próprio vomitar de um coração caído com suas ganâncias, revoltas e mesquinhez; as orações são tão infames nas suas expressões que Deus é destituído da posição de soberano criador e glorioso Senhor e é relegado a posição de garçom, com a única função de atender a todos os desejos de clientes exigente. Faltam palavras para nominar com precisão esses atos, visto que o que se vê e escuta nesse sentido é simplesmente estarrecedor.

A pregação, por sua vez, nem de longe é verdadeiramente a exposição do texto sagrado, os sermões foram reduzidos simplesmente a mensagens de auto ajuda e a palestra motivacionais, as vezes é difícil saber se o ambiente é uma igreja ou um auditório de alguma empresa, em outros casos o conteúdo desses discursos de um misticismo pagão impressionante, cujo o encorajamento aos presentes é no sentido de que a igreja descobriu uma fórmula mágica para barganhar e persuadir à Deus e obrigá-lo a fazer até aquilo que Ele não quer.

Em suma o que vemos são pregadores fraudulentos usando a bíblia de forma distorcida a fim de apresentar um deus criado à própria imagem deles para lhes atender os anseios do coração. Esses são acompanhados por um público que está se “acercando de mestres que preguem segundo as suas próprias cobiças” uma expressão muito clara do que é o abandono da verdade e o “se voltar as fábulas” multidões, cujo o laço está no próprio “coração enganoso e desesperadamente corrupto”, um auditório com o mesmo propósito degradante que alega ser uma forma de cristianismo poderoso. Apesar dessas afirmações não dá para negar que essas falsas doutrinas tem entrado de forma sorrateira em muitas denominações e congregações que outrora eram serias quanto a confissão e vivência da fé verdadeira, primavam pela verdade da escritura, que pregavam a sã doutrina e se mostravam ao mundo como expressão da verdade do evangelho tendo em vista sempre o reino de Deus e a sua justiça, tendo em Cristo contentamento e plena suficiência em tudo.

Sem sombra de dúvida se faz necessário uma atitude abrangente por parte daquele referido remanescente, algo que não só denuncie todo esse pecado que como um câncer maligno em fase terminal, consome as entranhas da igreja, causando dor e sofrimento ao próprio corpo que ainda luta. Considerando que a causa majoritária de tamanho afastamento e perdição é o abandono da Sagrada Escritura, precisamos voltar imediatamente aos estudos da Palavra de Deus para compreensão da mensagem, resgatar o ensino da mesma, e sobretudo o praticar visivelmente em detrimento aos grandes desafios do nosso tempo. A igreja precisa redescobrir a sua própria história a partir do Antigo e Novo Testamento, olhar o comportamento dos primeiros cristãos e ver que aqueles irmãos amavam à Cristo mais do que à suas próprias vidas e provavam isso nas arenas e nas fogueiras através de uma convicção inabalável em Deus, se tornando assim incapazes de negá-lo, e isso os levavam à morte. Precisamos perceber a seriedade e reverência em santidade que havia no culto ao Senhor, temos que nos lembrar quão grande luta os cristãos verdadeiros passaram para permanecerem fiéis ao longo da chamada era medieval , vivendo em uma igreja corrupta e desviada da verdade. Na minha opinião, é crucial que a igreja do nosso tempo observe também o evento que tem sido chamado ao longo da história recente de Reforma protestante, para assim perceber como aqueles irmãos os quais são chamamos de reformadores a quem devemos tanto, que em tempos tão difíceis, desafiaram toda estrutura religiosa e política para resgatarem a verdade de Deus devolvendo a Escritura a mão de todos, afim de que esses entendessem a vontade de Deus e vivessem de forma santa em um mundo caído. Esses instrumentos de Deus resgataram a pregação verdadeira e como buscaram incansavelmente a estrutura do culto bíblico e da prática do mesmo na historia, o qual ficou bem conhecida e registrado nas confissões históricas de fé como: o princípio regulador do culto; devemos ter o mesmo senso de responsabilidade em nosso tempo. Que o zelo pela a Escritura Sagrada seja visto em nós através de todas as nossa ações, que o nosso posicionamento diante de um mundo caído e na nossa sociedade cada dia mais promíscua, injusta e corrupta, seja a expressão do que Deus pensa, revelada em sua palavra, e que aqueles que nos observam possam ver também no nosso ajuntamento solene, profundo amor, reverência e verdadeira adoração, pois sendo assim em nossos corações e ações, os homens nos verão e glorificarão a Deus, se assim for poderemos chamar realmente aquilo que fazemos coletivamente aos domingos ao nos ajuntar no templo, de culto à Deus e a nossa vivência em comunhão de igreja de Jesus Cristo.


Dejacir Costa Lima
Bacharel em Teologia pela Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares – SEBI; Bacharel em Teologia pela Faculdade Unida de Vitória; Conselheiro Bíblico certificado pela Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares – SEBI; Treinamento e Capacitação em Aconselhamento Bíblico pelo Núcleo de Treinamento e Aconselhamento Bíblico – Nutra e Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos – ABCB.

texto retirado do site: www.sebi.com.br

EU: UM PECADOR MISERÁVEL



Alex Wellington Artigos 17/11/2015

A expressão “Pecador Miserável” é bastante comum nos corredores da Sebi, e até mesmo dentro de algumas igrejas de Brasília/DF e Goiânia/GO, como a pastoreada pelos pastores Airton, Dejacir e por mim.

Uma expressão que ganhou força por onde passamos, ao ponto de se tornar uma forma de tratamento, isso mesmo, uma forma de tratamento. É muito comum quando nos encontramos o cumprimento: “E aí pecador miserável, como você está?”.

Esta expressão na verdade foi propagada em Brasília e ganhou força nas exposições – quer seja aula ou pregação – do pastor Airton, e muitas vezes, talvez quase sempre para quem nunca a ouviu, um impacto muito grande, pois se enxergar como um pecador é bem difícil, ainda mais como um pecador miserável.

Acredito realmente que esta expressão é bastante forte, porém verdadeira, e como vivemos em uma época onde somos “santo”, e quando falo “santo” não estou falando de alguém santo no sentido bíblico, ou seja, de alguém separado, mas santo na sua totalidade, como alguém que não peca mais, que possui algum valor extraordinário da parte de Deus, ou de alguém que detém algum mega poder capaz de deter as ações do pecado em sua vida, tal expressão é bastante “agressiva” aos ouvidos.
Para nós, porém, não há nenhum caráter agressivo, visto que assim a Bíblia nos revela[i] e não temos como negar ou refutar tal verdade, por isso precisamos estar atentos para o que essa expressão deve significar para nós.

No ano passado tive uma conversa com o meu irmão Adriano, que comentou algo que me deixou bastante pensativo. Disse ele: “Alex, concordo que realmente somos pecadores miseráveis, porém tenho observado que vocês usam essa expressão para tudo, e talvez, pelo uso indiscriminado, perca o sentido real na vida de vocês e se torne apenas mais um jargão, como algo banal e sem efeito nenhum”. Na hora eu balancei a cabeça concordando, depois mudamos de assunto e ficou para trás tal pensamento.

Posteriormente, aquela observação do meu irmão Adriano me incomodou, e comecei a observar que as pessoas usavam a expressão “pecador miserável” de uma forma totalmente descomprometida, ao ponto de se transformar em desculpas para justificar seus pecados.

Como exemplos: agora não peço mais perdão pelo fato de ter sido agressivo com alguém, ou magoado, ou ter chegado atrasado, até mesmo em sala de aula, para justificar o atraso na entrega de um trabalho, ou para tentar ganhar alguns dias a mais com o professor para tal entrega.

Em momento algum, ouvimos a expressão: “me perdoe por ter sido grosseiro com você”; “me perdoe por ter lhe ferido”; “professor eu realmente não respeitei o prazo para entrega do trabalho conforme estabelecido”; simplesmente o que se ouve é:“eu sou um pecador miserável”.

Percebi que o Adriano estava certo em seu comentário; esquecemos o impacto que essa frase deveria causar em nós: o constrangimento, a vergonha que deveria tomar conta de nós todas as vezes que pronunciássemos tal frase.

É importante trazer a memória às implicações práticas da expressão: “eu sou um pecador miserável”:
    
  Não somos merecedores de salvação: a nossa salvação é ação direta de Deus sobre a vida do homem, visto que não existe nada em nós que chame a atenção de Deus para nós, e o seu agir se manifesta de forma gratuita. [ii] O agir de Deus vem de forma gratuita, ou seja, sem merecimento. O que precisamos entender é qual a aplicação da graça sobre nossas vidas. Se perguntarmos: o que é graça? Ouviremos como resposta: “favor imerecido de Deus”; Se compreendemos que graça é um favor imerecido, significa que Deus no deu algo que nós não merecemos, e nesse caso surge então outra pergunta: o que merecemos? Se o destino final dos salvos é o céu, logo o destino final dos condenados é o inferno, assim sendo, o que merecemos da parte de Deus é o inferno, mas Ele pela sua graça (imerecida) no alcançou e nos permitiu a entrada aos céus por intermédio do sacrifício de seu filho Jesus Cristo na cruz;

   Não há nada de bom em nós – A Bíblia nos revela como seres totalmente corruptos. Como pecadores, precisamos entender que nossos corações não querem servir a Deus, mas buscar o prazer do pecado. O apóstolo Paulo relata sua luta com seus pecados[iii], e chegando a conclusão de que na vida dele não há bem algum, e no versículo anterior, revela que a razão dessa luta, é o mal, a saber, o pecado que habitava nele. Esse mal, também habita em mim e você. [iv]

    Somos chamados a lutar contra nossos pecados – Não podemos nos conformar com o fato de sermos pecadores. Ser salvo carrega a responsabilidade de um viver contínuo para a glória de Deus, e isso só é possível através da luta contra o pecado. Se conformar como um pecador miserável, é viver uma fé em Cristo totalmente vazia, sem esperança e engano. Somos desafiados pelo autor de Hebreus a lutarmos até o sangue contra os nossos pecados[v]. Essa é a marca de alguém que deseja viver uma vida para a glória de Deus. O conformismo com o pecado demonstra um viver demasiadamente egoísta, longe de agradar a Deus.

    Somos chamados a uma vida de arrependimento – quando nos deparamos com nossos pecados, existem duas posturas a serem tomadas: a primeira é se arrepender[vi] e a segunda é se conformar. Compreendendo o que as escrituras nos exortam, percebemos que a postura de arrependimento está faltando no meio dos salvos, onde muitas vezes nos portamos de forma soberba, – e isso é o que Deus não quer[vii] – deixando assim que nossos corações dominem nossas ações e emoções, sem nos apercebermos que tal atitude nos distancia da vontade de Deus, operando em nós as marcas dos filhos da desobediência.[viii]

    Somos desafiados a uma vida de mudança – o arrependimento verdadeiro é produzido somente quando nos despirmos do velho homem[ix], ou seja, das práticas da natureza caída que ainda gritam em nossos corações tentando nos influenciar de uma forma a vivermos sem mudanças. A palavra grega “metanóia” expressa o nosso desafio, pois significa: mudança de pensamento. Se meus pensamentos são pensamentos de pecadores miseráveis, devo buscar um novo pensamento[x], que seja capaz de me moldar ao caráter de Cristo.

Como disse no início deste artigo, não tenho dificuldades com a expressão: Pecador Miserável, porém, é necessário reconhecer os pontos acima citados, todas as vezes que pecamos, para que as verdades nelas contidas sejam capazes de me levar a uma vida de santificação e aperfeiçoamento na caminhada de fé.

Em Cristo

Pr. Alex Wellington[xi]

[i]Sl 90:3; Sl 22:6

[ii]Ef 2:8 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.”

[iii]Rm 7:18 “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.”

[iv] Para uma compreensão desse problema na vida do homem, recomendo a leitura do livro: O Mal que Habita em Mim, de Kris Lundgaard da Editora Cultura Cristã.

[v]Hebreus 12.4 “Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue”.

[vi]Salmos 51:1-4; Salmos 32:1-4; 2 Coríntios 7:9-10; Salmos 32:5

[vii]Tg 4:6 “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.”

[viii] Cl 3

[ix]Ef 4:22-24

[x]Rm 12:1-2 –“… mas transformai-vos pela renovação da vossa mente…”. A expressão “vossa mente” é uma expressão paulina para mudança de pensamentos. Mente está ligada diretamente aos pensamentos.

[xi] Alex Wellington é casado com Ângela Márcia e pai de Carlos Eduardo. Pastor da Igreja Bíblica Reformada da Aliança (IBRA). Conselheiro Bíblico com treinamentos pelo Núcleo de Treinamento e Aconselhamento Bíblico (NUTRA-SP) e pela Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos (ABCB-SP).Diretor e professor da Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares (SEBI). Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista de Fortaleza – (STBC); Bacharel em Teologia perla Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil (Faceten); Pós-Graduado em Teologia Bíblica (Mauá/Sebi); Especialista em Exegese Bíblica pela Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares (Sebi); Autor do livro: As Dimensões dos Relacionamentos Humanos, publicado pela Editora Sebi.

Este artigo foi publicado no site: www.sebi.com.br

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

CARTA ABERTA AOS GRUPOS DE LOUVOR


Querido Grupo de Louvor,
Eu aprecio muito a sua disponibilidade e desejo de oferecer seus dons a Deus em adoração. Aprecio sua devoção e celebro sua fidelidade — arrastando-se para a igreja cedo, domingo após domingo, separando tempo para ensaiar durante a semana, aprendendo e escrevendo novas canções, e tantas coisas mais. Assim como aqueles artistas e artesãos que Deus usou para criar o tabernáculo (Êxodo 36), vocês são dispostos a dispor seus dons artísticos a serviço do Deus Triuno.
Portanto, por favor, recebam esta pequena carta no espírito que ela carrega: como um encorajamento a refletir sobre a prática de “conduzir a adoração”. A mim parece que vocês frequentemente simplesmente optaram por uma prática sem serem encorajados a refletir em sua lógica, sua “razão de ser”. Em outras palavras, a mim parece que vocês são frequentemente recrutados a “conduzir a adoração” sem muita oportunidade de parar e refletir na natureza da “adoração” e o que significaria “conduzir”.
Especificamente, minha preocupação é que nós, a igreja, tenhamos involuntariamente encorajado vocês a simplesmente importar práticas musicais para a adoração cristã que — ainda que elas possam ser apropriadas em outro lugar — sejam prejudiciais à adoração congregacional. Mais enfaticamente, usando a linguagem que eu empreguei primeiramente em Desiring the Kingdom¹, às vezes me preocupo de que tenhamos involuntariamente encorajado vocês a importar certas formas de execução que são, efetivamente, “liturgias seculares” e não apenas “métodos” neutros. Sem perceber, as práticas dominantes de execução nos treinam a relacionar com a música (e os músicos) de certa maneira: como algo para o nosso prazer, como entretenimento, como uma experiência predominantemente passiva. A função e o objetivo da música nestas “liturgias seculares” é bem diferente da função e o objetivo da música na adoração cristã.
Então deixe-me oferecer apenas alguns breves conceitos com a esperança de encorajar uma nova reflexão na prática da “condução da adoração”:
1. Se nós, a congregação, não conseguimos ouvir a nós mesmos, não é adoração. A adoração cristã não é um concerto. Em um concerto (uma particular “forma de execução”), nós frequentemente esperamos ser sobrepujados pelo som, particularmente em certos estilos de música. Em um concerto, nós acabamos esperando aquele estranho tipo de privação dos sentidos que acontece com a sobrecarga sensorial, quando o golpe do grave em nosso peito e o fluir da música sobre a multidão nos deixa com a sensação de uma certa vertigem auditiva. E não há nada de errado com concertos! Só que a adoração cristã não é um concerto. A adoração cristã é uma prática coletiva, pública e congregacional — e o som e a harmonia reunidos de uma congregação cantando em uníssono é essencial à prática da adoração. É uma maneira “desempenhar” a realidade de que, em Cristo, nós somos um corpo. Mas isso requer que nós na verdade sejamos capazes de ouvir a nós mesmos, e ouvir nossas irmãs e irmãos cantando ao nosso lado. Quando o som ampliado do grupo de louvor sobrepuja às vozes congregacionais, não podemos ouvir a nós mesmos cantando — então perdemos aquele aspecto de comunhão da congregação e somos encorajados a efetivamente nos tornarmos adoradores “privados” e passivos.
2. Se nós, a congregação, não podemos cantar juntos, não é adoração. Em outras formas de execução musical, os músicos e as bandas irão querer improvisar e “serem criativos”, oferecendo novas execuções e exibindo sua virtuosidade com todo tipo de diferentes trills e pausas e improvisações na melodia recebida. Novamente, isso pode ser um aspecto prazeroso de um concerto, mas na adoração cristã isso significa apenas que nós, a congregação, não conseguimos cantar junto. Então sua virtuosidade desperta nossa passividade; sua criatividade simplesmente encoraja nosso silêncio. E enquanto vocês possam estar adorando com sua criatividade, a mesma criatividade na verdade desliga a canção congregacional.
3. Se vocês, o grupo de louvor, são o centro da atenção, não é adoração. Eu sei que geralmente não é sua culpa que os tenhamos colocado na frente da igreja. E eu sei que vocês querem modelar a adoração para que nós imitemos. Mas por termos encorajado vocês a basicamente importar formas de execução do local do concerto para o santuário, podemos não perceber que também involuntariamente encorajamos a sensação de que vocês são o centro das atenções. E quando sua performance se torna uma exibição de sua virtuosidade — mesmo com as melhores das intenções — é difícil opor-se à tentação de fazer do grupo de louvor o foco de nossa atenção. Quando o grupo de louvor executa longos riffs, ainda que sua intenção seja “ofertá-los a Deus”, nós na congregação nos tornamos completamente passivos, e por termos adotado o hábito de relacionar a música com os Grammys e o local de concerto, nós involuntariamente fazemos de vocês o centro das atenções. Me pergunto se há alguma ligação intencional na localização (ao lado? conduzir de trás?) e na execução que possa nos ajudar a opor-nos contra estes hábitos que trazemos conosco para a adoração.
Por favor, considerem estes pontos com atenção e reconheçam o que eu não estou dizendo. Este não é apenas algum apelo pela adoração “tradicional” e uma crítica à adoração “contemporânea”. Não pense que isto é uma defesa aos órgãos de tubos e uma crítica às guitarras e baterias (ou banjos e bandolins). Minha preocupação não é com o estilo, mas com a forma: O que estamos tentando fazer quando “conduzimos a adoração?” Se temos a intenção que a adoração seja uma prática congregacional de comunhão que nos traz a um encontro dialógico com o Deus vivo — em que a adoração não seja meramente expressiva, mas também formativa² — então podemos fazer isso com violoncelos, guitarras, órgãos de tubos ou tambores africanos.
Muito, muito mais poderia ser dito. Mas deixe-me parar por aqui, e por favor receba esta carta como o encorajamento que ela foi feita para ser. Eu adoraria vê-los continuar a oferecer seus dons artísticos ao Deus Triuno que está nos ensinando uma nova canção.
Sinceramente,
Jamie
________
Notas:
¹Desiring the Kingdom – Worship, Worldview, and Cultural Formation (Desejando o Reino – Adoração, Cosmovisão e Formação Cultural) [N. do T.]
² De acordo com o The Colossian Forum, a despeito de a adoração ser encarada hoje em dia apenas como algo que se vai em direção a Deus (expressão), ao longo da história ela sempre foi encarada também como a causadora de algo em nós (formação). “A adoração cristã é também uma prática formativa justamente porque a adoração também é um encontro ‘descendente’ no qual Deus é o atuante primário” (Fonte: http://www.colossianforum.org/2011/11/09/glossary-worship-expression-and-formation/). [N. do T.]
Por: James K.A. Smith. Copyright © Fors Clavigera . Original: An Open Letter to Praise Bands.
Tradução: Equipe Cante as Escrituras. Original: Carta Aberta aos Grupos de Louvor.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

E CONSIDEREMO-NOS UNS AOS OUTROS...

Amados , este vídeo foi gravado durante o culto do dia 08 de Novembro de 2105, ministrado pelo Pr. Airton Williams no livro de Hebreus, Capítulo 10, versículos 19 ao 31.

Sola Scriptura

Amados, este vídeo foi gravado durante o Culto do dia 01 de Novembro de 2015, ele faz parte da nossa 1ª Jornada sobre a Reforma Protestante.

Dr. Robert Jones

Amados, este vídeo foi gravado durante o culto do dia 25 de Julho de 2015, na semana em que o Dr. Robert Jones esteve em Brasília para a 1ª Jornada Internacional da SEBI.